July 22, 2026

Elsa Veloso, CEO da DPO Consulting e especialista em redes sociais, indicou que existem várias questões que devem anteceder qualquer debate europeu sobre idades mínimas, proibições ou controlos parentais.
“As plataformas que os menores usam não nasceram por acaso desenhadas para captar atenção.” Para Elsa Veloso, CEO da DPO Consulting e especialista em redes sociais, esta é a questão que deve anteceder qualquer debate sobre idades mínimas, proibições ou controlos parentais.
Em entrevista à ‘Executive Digest’, a especialista sustenta que as principais funcionalidades das redes sociais foram deliberadamente construídas para explorar os circuitos de recompensa do cérebro e prolongar o tempo passado nas plataformas. O problema, defende, não se resolve apenas impedindo crianças e adolescentes de criarem uma conta antes de determinada idade.
“O scroll infinito elimina a sugestão natural de paragem que existe num livro ou numa revista. O autoplay retira à criança a decisão de continuar. A notificação com o pontinho vermelho é desenhada especificamente para gerar ansiedade até ser tocada”, afirma.
Elsa Veloso aponta ainda para os gostos, comentários e recomendações sucessivas como exemplos de um sistema baseado em recompensas imprevisíveis, capaz de estimular comportamentos compulsivos.
“O mecanismo central assenta em reforço intermitente variável, o mesmo princípio que torna as máquinas de jogo tão viciantes”, explica a advogada. “Isto não é retórica alarmista, é desenho de produto documentado pelos próprios ex-engenheiros destas empresas."